Cruzamos 192 cidades: Maringá tem 126,5 empresas por mil habitantes, e a 20 km isso cai 3,3 vezes


Vista aérea de Maringá com a catedral cônica ao centro, prédios à esquerda e arborização em volta

Maringá tem 126,5 empresas ativas para cada mil habitantes, e a 20 quilômetros dali, em Paiçandu, esse número cai para 38,0. Cruzamos o Cadastro Central de Empresas do IBGE de 2024 com o Censo de 2022 em 192 municípios do Paraná, de São Paulo e de outros 25 estados, e o resultado desmontou três coisas que a gente achava que sabia sobre onde estão os negócios brasileiros. Uma delas era uma hipótese nossa, e ela falhou feio: está publicada aqui embaixo com o número que a derrubou.

Como medimos, e o que este estudo não é

O método é simples de refazer, e é essa a intenção. Pegamos duas bases públicas do IBGE: o Cadastro Central de Empresas (CEMPRE) de 2024, que traz o número de empresas e outras organizações atuantes por município, e o Censo de 2022, que traz a população residente. Dividimos uma pela outra e multiplicamos por mil. Depois cruzamos com o salário médio mensal pago pelas empresas de cada cidade, com a variação de empresas entre 2022 e 2024 e com a variação populacional entre os censos de 2010 e 2022.

N = 192 municípios, sendo 63 no Paraná, 62 em São Paulo e 67 distribuídos pelos outros 25 estados e o Distrito Federal. Somados, eles têm 5.804.273 empresas ativas.

Agora a parte que quase nenhum levantamento publica, e que muda como você deve ler tudo o que vem abaixo. Estes 192 municípios não são uma amostra aleatória do Brasil. São as cidades que a CL3 mantém com página própria no site, escolhidas por dois critérios: estar a até 300 quilômetros de Maringá ou ter mais de 300 mil habitantes. Isso cria dois vieses declarados: sobra cidade média e grande, e sobra Paraná e interior de São Paulo. As conclusões valem para este conjunto, não para o país. E sim, a CL3 tem interesse comercial no assunto: vendemos site para empresa, e mapa de onde há empresa é mapa de mercado. Por isso o método está aberto, e qualquer pessoa pode refazer a conta com os mesmos dois arquivos públicos.

No Paraná, Maringá só perde para a capital

A média do Paraná é de 74,5 empresas por mil habitantes. Maringá tem 126,5, ou 1,7 vez a média do estado, e fica atrás apenas de Curitiba.

#CidadePopulação (2022)Empresas (2024)Por mil hab.
1Curitiba1.773.718230.758130,1
2Maringá409.65751.804126,5
3Londrina555.96552.43794,3
4Cascavel348.05132.11892,3
5Jandaia do Sul21.4081.80284,2
6Dois Vizinhos44.8693.75883,8
7Loanda23.2251.90982,2
8Toledo150.47012.23381,3

Repare nas posições 5, 6 e 7: Jandaia do Sul tem 21 mil moradores, Loanda tem 23 mil, e as duas têm mais empresa por habitante que Toledo, que tem 150 mil. Densidade empresarial não é questão de tamanho.

A 20 quilômetros de Maringá, a densidade cai 3,3 vezes

Este é o achado mais útil para quem vende na região, e o que mais surpreendeu. Olhando as oito cidades mais próximas de Maringá, a concentração de empresas despenca assim que você sai do município.

CidadeDistânciaPopulaçãoEmpresasPor mil hab.
Maringásede409.65751.804126,5
Sarandi9 km118.4554.84240,9
Marialva14 km41.8512.88568,9
Mandaguaçu20 km31.4571.86159,2
Paiçandu20 km45.9811.74838,0
Mandaguari24 km36.7192.34363,8
Astorga30 km25.4751.75668,9
Jandaia do Sul34 km21.4081.80284,2

Sarandi e Paiçandu são o caso extremo: cidades grudadas em Maringá, com 118 mil e 46 mil moradores, e densidade de 40,9 e 38,0. São cidades onde muita gente mora e poucas empresas estão sediadas, porque quem mora ali trabalha e compra em Maringá. Para quem vende, isso tem consequência direta: o cliente de Sarandi provavelmente vai pesquisar e comprar em Maringá, então a disputa pela busca não é municipal, é regional.

O interior de São Paulo inverte a lógica do tamanho

A média de São Paulo é de 82,5 empresas por mil habitantes, acima da do Paraná. Mas o que chama atenção é quem lidera: nenhuma das quatro primeiras é cidade grande.

#CidadePopulação (2022)Por mil hab.
1Cândido Mota29.449135,8
2Mirandópolis27.983132,8
3Barueri316.473129,6
4Rancharia28.588129,4
5Junqueirópolis20.448126,3
6Teodoro Sampaio22.173124,1
7Promissão35.131121,9
8Presidente Epitácio39.505120,4

Cândido Mota, com 29 mil moradores, tem proporcionalmente mais empresas que Barueri, que abriga sede de multinacional. O Oeste Paulista aparece inteiro no topo, e isso nos levou direto para a hipótese que falhou.

A hipótese que testamos e que não se sustentou

Vendo o Oeste Paulista liderar, a explicação parecia óbvia: agropecuária. Cidade agrícola teria muita empresa pequena registrada, produtor rural, revenda, prestador de serviço para o campo. Testamos a correlação entre a participação da agropecuária no valor adicionado do município e a densidade de empresas nas 192 cidades.

O resultado foi r = 0,011. Isso é zero, estatisticamente falando. A vocação agrícola não explica absolutamente nada da densidade empresarial da nossa amostra.

Não temos explicação alternativa comprovada, e é isso que estamos publicando: uma hipótese razoável, testada, derrubada pelo próprio dado. As pistas que sobraram são duas, e as duas precisam de mais trabalho para virar conclusão. A primeira é que cidade com muita empresa por habitante tem empresa menor: a correlação entre pessoas ocupadas por empresa e densidade é negativa. A segunda é que a distância da capital do estado parece aumentar a densidade, não diminuir. Se você tem uma explicação melhor, ela é bem-vinda, e o dado está aberto para conferência.

Cidade rica não é cidade concorrida

Segunda coisa que achávamos e que o número não confirma. A relação entre o salário médio pago pelas empresas de uma cidade e a densidade empresarial dela é de apenas r = 0,304 nas 192 cidades: existe, mas é fraca demais para servir de regra.

Na prática, isso significa que escolher onde investir em presença digital olhando só a renda da cidade é um erro. Existem cidades que pagam bem e têm pouca empresa por habitante, e são justamente as mais interessantes para quem chega: menos concorrência disputando o mesmo cliente, com poder de compra acima da média.

Nenhuma das 192 perdeu empresas em dois anos

De 2022 para 2024, a mediana de crescimento foi de 10,4%, e o número de cidades que encolheram em quantidade de empresas foi zero. Nenhuma. O piso da amostra foi de mais 2,0%.

Mais interessante: 35 das 192 cidades perderam população entre os censos de 2010 e 2022, e nenhuma dessas 35 perdeu empresas. Presidente Epitácio, por exemplo, encolheu em gente e tem 120,4 empresas por mil habitantes, uma vez e meia a média paulista. Menos moradores e mais CNPJs ao mesmo tempo é o retrato de um país que formaliza e fragmenta: mais empresas, cada uma menor.

A correlação entre crescimento populacional e crescimento de empresas é de r = 0,502, a mais forte que encontramos. Cidade que ganha gente ganha empresa, mas cidade que perde gente não perde empresa. O movimento só anda para um lado.

O que isso muda para quem vende

Três leituras práticas saem daqui, e nenhuma delas depende de acreditar em nós.

  • Densidade alta é sinal de disputa, não de oportunidade automática. Em Maringá, 51.804 empresas competem por atenção no mesmo lugar. Quem não é encontrado na busca não é comparado, e quem não é comparado não vende. É o cenário que descrevemos em como aparecer no Google para empresas locais.
  • Densidade baixa em cidade vizinha de polo é oportunidade de raio, não de município. Sarandi tem 40,9 empresas por mil habitantes e 118 mil moradores que compram em Maringá. Quem vende para essa gente precisa aparecer na busca regional, não na municipal.
  • Cidade pequena com densidade alta é o melhor custo-benefício de busca que existe. Jandaia do Sul, Loanda, Cândido Mota e Junqueirópolis têm mercado empresarial proporcionalmente maior que capitais, e quase nenhuma agência disputa a busca ali.

Se você quer saber onde a sua empresa está nessa conta, cada uma das 192 cidades tem uma página com esses números e a leitura do mercado local: veja a sua em criação de sites por cidade. E se o passo seguinte for medir o próprio site em vez do mercado, a análise gratuita devolve uma nota de 0 a 100 em alguns segundos, sem cadastro.

Em resumo

Cruzamos CEMPRE 2024 com Censo 2022 em 192 cidades. Maringá tem 126,5 empresas por mil habitantes e só perde para Curitiba no Paraná; a 20 km dali, a densidade cai 3,3 vezes. O Oeste Paulista lidera o interior com cidades de 20 a 30 mil habitantes. Nenhuma das 192 perdeu empresa em dois anos, nem as 35 que perderam gente. E as duas explicações que pareciam óbvias, agropecuária e renda, não se sustentaram no teste: 0,011 e 0,304 de correlação.

Perguntas frequentes

De onde vêm os dados deste estudo?

De duas bases públicas do IBGE: o Cadastro Central de Empresas (CEMPRE) de 2024, que traz o número de empresas e outras organizações atuantes por município, e o Censo de 2022, que traz a população residente. A conta é empresas dividido por população, vezes mil. Qualquer pessoa refaz com os mesmos dois arquivos.

Quantas cidades entraram e por que essas?

Entraram 192 municípios: 63 no Paraná, 62 em São Paulo e 67 nos outros 25 estados e no Distrito Federal. São as cidades que a CL3 mantém com página própria, escolhidas por estar a até 300 km de Maringá ou ter mais de 300 mil habitantes. Não é amostra aleatória do Brasil, e por isso o estudo declara o viés: sobra cidade média e grande, e sobra Paraná e interior de São Paulo.

Qual cidade tem mais empresas por habitante?

Na amostra, Cândido Mota, no interior de São Paulo, com 135,8 empresas por mil habitantes e apenas 29.449 moradores. No Paraná, a líder é Curitiba, com 130,1, seguida de Maringá, com 126,5. As três primeiras posições do interior paulista são de cidades entre 20 e 30 mil habitantes.

Cidade com renda mais alta tem mais concorrência?

Não de forma confiável. A correlação entre o salário médio pago pelas empresas do município e a densidade empresarial ficou em 0,304 nas 192 cidades, o que é fraco demais para virar regra. Existem cidades que pagam bem e têm poucas empresas por habitante, e elas costumam ser as melhores para quem está chegando.

Alguma cidade perdeu empresas entre 2022 e 2024?

Nenhuma das 192. A mediana de crescimento foi de 10,4% e o piso da amostra foi de mais 2,0%. Mais: as 35 cidades que perderam população entre os censos de 2010 e 2022 também ganharam empresas, o que indica um país que formaliza e fragmenta, com mais empresas e cada uma menor.

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