Tráfego pago
Meta Ads ou Google Ads: onde a sua empresa deve anunciar
A pergunta parece ser sobre plataforma, mas é sobre momento de compra. Google Ads alcança quem já sabe o que quer e está procurando. Meta Ads alcança quem não estava procurando nada. Escolher errado não é desperdiçar verba: é falar com a pessoa certa na hora errada.
A diferença que decide tudo
No Google, a pessoa digita. Ela tem um problema formulado e está atrás de solução: "conserto de ar condicionado", "advogado trabalhista", "loja de piso em Maringá". Você aparece no meio dessa intenção.
No Instagram e no Facebook, a pessoa está passando o tempo. Você interrompe. Isso não é ruim, é diferente: dá para alcançar quem nunca ouviu falar de você e criar um desejo que não existia. Só que quem não estava procurando também não estava com pressa de comprar.
Daí sai a regra prática mais útil: demanda existente vai para o Google; demanda a criar vai para o Meta.
Quando o Google Ads é a escolha melhor
- Serviço de urgência. Chaveiro, encanador, guincho, assistência técnica. Ninguém decide contratar chaveiro vendo um vídeo, decide quando está trancado do lado de fora.
- Compra pesquisada. Serviço profissional, equipamento, obra. A pessoa vai comparar três fornecedores, e você precisa estar entre os três.
- Produto com nome próprio. Quando o cliente sabe o que quer pelo nome, ele digita o nome.
- Ticket alto com decisão racional. A busca traz quem já passou da fase de descobrir que tem o problema.
Quando o Meta Ads é a escolha melhor
- Produto visual ou por impulso. Moda, gastronomia, estética, decoração. Ver desperta; procurar, não.
- Demanda que ninguém pesquisa. Se quase ninguém digita o nome do que você vende, não há busca para disputar.
- Público muito definido. Segmentação por interesse, comportamento e semelhança com quem já comprou é onde o Meta ganha.
- Recompra e lembrança. Falar de novo com quem já é cliente sai barato ali.
Custo: o clique não é comparável
| Google Ads | Meta Ads | |
|---|---|---|
| Custo por clique típico | mais alto | mais baixo |
| Intenção de quem clica | alta | baixa a média |
| Tempo até a venda | curto | longo |
| Depende de imagem e vídeo | pouco | muito |
Comparar só o custo por clique leva à conclusão errada de que o Meta é mais barato. Ele é mais barato por clique e costuma precisar de muito mais cliques para chegar na mesma venda. O número que importa é o custo por orçamento fechado, não por visita.
A faixa de preço no Brasil, com a ressalva que ninguém dá
Do lado do Google, a Rede de Pesquisa brasileira costuma trabalhar entre R$ 1,50 e R$ 15,00 por clique, com média na casa dos R$ 2,50 e picos bem acima em advocacia, saúde e seguros, onde o valor de um cliente justifica o lance.
Agora o aviso que quase nenhum artigo brasileiro faz questão de dar: essas tabelas de CPC por setor circulam como se fossem dado oficial, mas vêm de amostras próprias de consultores e divergem bastante entre si. A única base estruturada de CPC por setor no Brasil que localizamos está atrás de assinatura e não pôde ser conferida. Use como ordem de grandeza para montar cenário, nunca como previsão de orçamento — e desconfie de quem apresenta esses números com casa decimal e ar de certeza.
Com isso na mão, a conta que decide não é "qual clique é mais barato", é quanto custa uma venda em cada canal. Um clique de R$ 8 que fecha uma a cada dez conversas custa R$ 80 por venda. Um clique de R$ 1 que fecha uma a cada duzentas custa R$ 200. O barato aparece no relatório; o caro aparece no caixa.
Uma mudança de 2026 que afeta quem anuncia no Google
Se a sua conta é antiga, vale conferir uma coisa. Durante setembro de 2026, o Google Ads migrou automaticamente para o AI Max as campanhas de Pesquisa que usavam correspondência ampla no nível da campanha ou os recursos antigos de criação automática de anúncio.
O que muda na prática: com o AI Max ligado, a palavra-chave deixa de ser fronteira dura. O Google passa a buscar termos além dos que você cadastrou, a montar variações do texto do anúncio e a escolher qual página do site recebe o clique. Alcance maior, controle menor — e a conta de chegada pode ser melhor ou pior conforme o que ele encontrar do outro lado.
Duas providências para quem anuncia: guarde a linha de base de agosto (custo por conversão, taxa de conversão e ticket médio) fora da plataforma, antes que os meses se misturem; e abra o relatório de termos de pesquisa toda semana, porque é ali que a mudança aparece primeiro. Se o Google estiver mandando gente para uma página fraca, o problema deixou de ser de campanha e virou de site.
Um detalhe que muda o resultado no Meta
Anúncio no Meta vive de criativo. A mesma verba com um vídeo que segura os três primeiros segundos e com uma foto de banco de imagem produz resultados que não se parecem. No Google, o texto do anúncio importa, mas o peso maior está na palavra escolhida e na página de destino.
Isso tem consequência prática de custo: quem vai para o Meta precisa produzir material com regularidade, e isso é trabalho recorrente. Quem vai para o Google precisa de páginas boas, e isso é trabalho que se faz uma vez e dura.
Por onde começar quando a verba é pequena
Se você só pode fazer uma coisa e o seu serviço é procurado, comece pelo Google. A razão é simples: com pouco dinheiro você precisa de conversão rápida para provar que vale continuar, e é lá que ela acontece. Meta com verba pequena costuma gastar em alcance e não fechar nada, o que faz a empresa concluir que anúncio não funciona quando o problema foi a escolha.
Se o que você vende quase ninguém procura pelo nome, o Google não tem o que entregar, e aí o Meta é o caminho, com a paciência que ele exige.
O erro que os dois compartilham
Mandar o clique para a página errada. Anúncio de um serviço específico que cai na home faz o visitante procurar de novo o que ele já tinha pedido, e boa parte desiste. Vale para as duas plataformas, e é a correção mais barata que existe: cada campanha com uma página feita para ela, repetindo a promessa do anúncio e com o contato à mão.
O segundo erro comum é não medir conversão, só clique. Sem isso, as duas plataformas otimizam para tráfego, que é justamente o que você não quer comprar.
Em resumo
Google para quem procura, Meta para quem descobre. Com verba curta e demanda existente, comece pelo Google. Com produto visual e demanda a criar, comece pelo Meta. E em qualquer um dos dois, o dinheiro só rende se a página de destino e a medição estiverem prontas antes da campanha ligar.
Escrevemos também sobre o equilíbrio entre anúncio e busca orgânica, que é a decisão anterior a essa: anúncio traz gente amanhã e para quando a verba acaba; orgânico demora e continua trabalhando.
Revisado em 16 de setembro de 2026. Entraram a faixa de custo por clique praticada no Brasil, com a ressalva de que essas tabelas por setor são amostras de consultores e não base verificada, e a conta que realmente decide, que é o custo por venda e não por clique. Entrou também a migração automática para o AI Max, que o Google Ads aplicou em setembro de 2026 às campanhas com correspondência ampla, com as duas providências para quem anuncia.
Publicado em Tráfego pago
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