Tráfego pago
Campanha de pesquisa no Google Ads: como funciona e o que mudou
A campanha de pesquisa é o formato mais antigo do Google Ads e o que menos mudou por dentro: continua sendo um leilão disputado a cada busca. O que mudou, rápido e com data marcada, é tudo em volta. As perguntas ficaram maiores, o clique gratuito virou minoria e o controle que você tinha sobre palavra-chave está sendo transferido para a IA do Google em setembro. Este texto explica o mecanismo e mostra o que mudou, com fonte em cada número.
Como funciona por dentro
Você não compra posição no Google. A cada busca acontece um leilão, e ele é refeito do zero toda vez: a mesma palavra-chave pode aparecer em primeiro às nove da manhã e não aparecer às onze, porque quem disputa, o texto buscado e o contexto mudaram.
O que decide quem aparece
A conta se chama Classificação do Anúncio. A documentação do Google lista seis fatores, e vale ler quais são, porque só um deles é dinheiro:
- Lance: o valor máximo que você aceita pagar por um clique.
- Qualidade: a avaliação de "utilidade e relevância do anúncio e da página de destino". Repare que a página entra na conta, não só o anúncio.
- Classificação mínima: limiares que o anúncio precisa alcançar para ser exibido, e um limiar mais alto para aparecer acima dos resultados.
- Concorrência: quando dois anúncios empatam, ambos têm oportunidade parecida.
- Contexto da pesquisa: termos buscados, local, dispositivo, horário.
- Impacto de recursos: o quanto sitelinks, telefone e demais formatos melhoram a performance.
E o Google afirma, na mesma página, que "anúncios de qualidade mais alta costumam gerar CPCs mais baixos". Traduzindo para a prática: relevância não é assunto estético, é desconto. Duas empresas disputando a mesma palavra pagam valores diferentes pelo mesmo clique, e a que tem página específica e texto coerente paga menos.
A distinção que separa quem gasta bem de quem gasta mal
Palavra-chave não é termo de pesquisa. A palavra-chave é o que você cadastra; o termo de pesquisa é o que a pessoa realmente digitou. Entre um e outro existe a correspondência, que decide o quanto o Google pode se afastar do que você pediu.
Esse é o ponto onde a maior parte do dinheiro de campanha pequena evapora. Uma clínica cadastra "fisioterapia" e paga por "curso de fisioterapia", "fisioterapia salário", "faculdade de fisioterapia". O relatório mostra cliques subindo e a agenda não enche.
O conserto é o relatório de termos de pesquisa, que mostra exatamente o que foi digitado, e a lista de palavras negativas, que barra o que não serve. É a tela mais importante da conta e a menos aberta. Se você só olhar uma coisa por semana, olhe essa.
Sem conversão marcada, o leilão otimiza a coisa errada
As estratégias automáticas de lance decidem quanto pagar com base no que conseguem enxergar. Se ninguém marcou o que é uma conversão, a única coisa visível é o clique, e é justamente o clique que você não quer comprar. Marcar conversão (formulário enviado, clique no WhatsApp, ligação) antes de subir a campanha não é refinamento: é a diferença entre otimizar para venda e otimizar para movimento.
O que mudou em quem pesquisa
As perguntas ficaram duas a três vezes maiores
Quando o Google lançou o Modo IA em português, em 8 de setembro de 2025, disse com todas as letras: "os primeiros usuários do Modo IA estão fazendo perguntas que têm duas ou três vezes o tamanho das pesquisas tradicionais".
Isso é o Google descrevendo o próprio produto, então cabe desconto. Mas a direção bate com o que qualquer um percebe usando: em vez de "dentista Maringá", a pessoa escreve "quanto custa colocar implante dentário e quantas sessões precisa".
Pergunta maior aciona resposta da IA muito mais vezes
Aqui existe medição independente. O Pew Research Center acompanhou o comportamento real de navegação de 900 adultos nos Estados Unidos em março de 2025, analisando 68.879 buscas únicas, das quais 12.593 geraram resumo de IA. A relação com o tamanho da pergunta é direta:
| Tipo de busca | Gerou resumo de IA |
|---|---|
| Uma palavra só | 8% |
| Dez palavras ou mais | 53% |
| Em formato de pergunta | 60% |
| Média geral da amostra | 18% |
Ou seja: as duas mudanças se alimentam. As pessoas passaram a perguntar mais, e perguntar mais é exatamente o que faz o Google responder sozinho.
Quando a resposta aparece, o clique cai pela metade
O mesmo estudo do Pew mediu o efeito no clique, e o número é duro:
- Com resumo de IA na tela, o usuário clicou num resultado tradicional em 8% das visitas.
- Sem resumo de IA, clicou em 15%: quase o dobro.
- Nos links citados dentro do resumo, o clique foi de 1%.
- A sessão terminou ali em 26% das páginas com resumo, contra 16% sem.
Preste atenção no 1%. A ideia de "seja citado dentro da resposta da IA e o clique vem" não se sustenta nesse dado: ser citado é bom para marca, mas não é substituto de tráfego.
No agregado, o clique virou minoria
A SparkToro, usando dados de fluxo de navegação da Similarweb, mediu as buscas americanas de janeiro a abril de 2026: 68,01% terminaram sem nenhum clique, contra 60,45% em 2024. O total de cliques enviados a qualquer destino caiu 22,9% no período.
A própria SparkToro registra a ressalva de que as comparações entre anos não são perfeitamente equivalentes, porque a origem dos dados mudou ao longo do tempo. Mesmo descontando isso, a direção é inequívoca.
E tem um número desse estudo que contraria a narrativa apressada: o Modo IA representou apenas 0,34% das buscas no período. O que está reduzindo clique não é a interface nova de conversa, é a resposta de IA que aparece no resultado comum.
O que não mudou, e isso é o mais importante
É fácil ler os números acima e concluir que a busca está morrendo. Os dados financeiros dizem o contrário, e com clareza.
No segundo trimestre de 2026, a Alphabet reportou US$ 63,3 bilhões em receita de Busca e outros, alta de 17% em um ano. Sundar Pichai descreveu o momento como expansionista, afirmando que as novas experiências estão gerando crescimento de consultas, e que o Modo IA passou de 1 bilhão de usuários mensais desde a expansão global em outubro.
Junte as duas metades e você tem o fato estratégico do momento, que é mais interessante que qualquer das duas isoladas:
A busca não encolheu. O clique de graça encolheu.
Mais gente pesquisando, com perguntas mais específicas, e menos cliques orgânicos saindo dali. Para quem vende, isso empurra valor para dois lugares ao mesmo tempo: o anúncio, que continua acima da resposta, e a página capaz de aproveitar o clique cada vez mais raro que ainda sai. É por isso que a conta de anúncio e a qualidade do site pararam de ser assuntos separados.
O que mudou dentro do Google Ads, com data
A IA Max, e o que ela faz com a sua palavra-chave
A IA Max para campanhas de Pesquisa já está documentada em português. O Google a define como "um pacote completo de recursos de segmentação e de criativos que usa inteligência artificial", funcionando como camada contínua de otimização. São três peças:
- Correspondência de termo de pesquisa: usa correspondência ampla e tecnologia sem palavra-chave para alcançar buscas que as suas palavras não pegariam.
- Personalização de texto: gera títulos e descrições a partir dos seus anúncios, da sua página e dos seus recursos.
- Expansão de URL final: o Google escolhe para qual página do seu site mandar o clique.
Leia a terceira de novo, porque ela é a que mais muda o seu trabalho: a escolha da página de destino deixa de ser sua. Qualquer página do site pode virar página de campanha. Aquela que está desatualizada desde 2023 também.
Os controles que permanecem: exclusão e associação de marcas, locais de interesse por grupo de anúncios, inclusão e exclusão de URLs, e a possibilidade de desligar a correspondência de termo de pesquisa. O relatório de termos passa a mostrar "IA Max" como tipo de correspondência, e dá para remover recurso gerado que não ficou bom.
Sobre resultado, o Google afirma que campanhas com IA Max veem "em média 7% mais conversões ou valor de conversão com CPA/ROAS semelhante" usando o pacote completo, comparado a usar só a correspondência de termo. É um número do Google sobre o produto do Google, baseado em dados internos de 2026 e referente a anunciantes fora do varejo. Trate como argumento de venda com origem declarada, não como estudo independente.
O calendário da migração
Esta parte é a que tem prazo, e por isso é a que exige decisão:
| Quando | O que acontece |
|---|---|
| Agora | Migração voluntária disponível, com ferramentas de upgrade e experimentos lado a lado |
| 15 de junho de 2026 | O Google voltou atrás e restaurou a criação de novas campanhas DSA |
| Setembro de 2026 | Migração automática de recursos criados automaticamente (ACA) e da configuração de correspondência ampla no nível da campanha |
| Fevereiro de 2027 | Migração automática das campanhas DSA restantes, adiada de setembro de 2026 |
O adiamento do DSA veio de reclamação de anunciante. A representante do Google Ads, Ginny Marvin, escreveu: "ouvimos o feedback de vocês alto e claro: vocês precisam de mais tempo". O Google também citou não querer mexer nas contas em plena preparação do quarto trimestre.
Repare no que não foi adiado: a correspondência ampla no nível da campanha migra em setembro. Se a sua conta usa isso, o prazo é este ano.
Atualização de 16 de setembro de 2026: o prazo acima venceu. A migração automática para o AI Max começou em 1º de setembro e corre até o fim do mês, atingindo as campanhas de Pesquisa que usam correspondência ampla no nível da campanha ou os recursos antigos de criação automática de anúncio. Contas montadas só com correspondência exata ou de frase ficaram fora desta primeira leva. Se a sua campanha já rodava antes de setembro, ela pode ter mudado de comportamento sem que ninguém avisasse.
O que conferir agora, se a sua conta foi migrada. Com o AI Max ligado, a palavra-chave deixa de ser fronteira dura: o Google busca termos além dos cadastrados, monta variações do texto do anúncio e escolhe qual página do site recebe o clique. Quatro providências, em ordem:
- Relatório de termos de pesquisa, toda semana. É ali que a mudança aparece primeiro, e é ali que você engorda a lista de negativas com o que não é seu público.
- Confira a página de destino que o Google está escolhendo. Se ele estiver mandando gente para uma página fraca, o problema deixou de ser de campanha e virou de site.
- Confira o que está sendo contado como conversão, antes de qualquer outra coisa. Com lance automático, o sinal de conversão é o volante: se ele inclui recarga de página ou robô, a máquina passa a perseguir mais daquilo. O que revisar está em configuração de conversões no Google Ads.
- Resgate a sua linha de base de agosto — custo por conversão, taxa de conversão e ticket médio — e guarde fora da plataforma. Sem esse registro, fica impossível separar o que a migração fez do que teria acontecido de qualquer jeito, porque você não está mais comparando a mesma campanha.
Os formatos novos ainda não são seus
No Google Marketing Live de 20 de maio de 2026 foram anunciados formatos conversacionais movidos a Gemini: Conversational Discovery ads, Highlighted Answers, anúncios de compras com IA e um agente de negócios para geração de leads. É bom saber que existem, mas vale a informação completa: estão em teste, nos Estados Unidos. Quem estiver vendendo isso hoje no Brasil como diferencial está vendendo demonstração.
O que fazer com isso, na ordem
- Marque conversão e teste se está registrando. Enquanto isso não estiver certo, todo o resto é decoração, e com IA no meio, é pior: a automação vai perseguir com afinco a métrica errada.
- Abra o relatório de termos de pesquisa toda semana. Com correspondência mais solta, ele deixa de ser conferência e vira o volante. As negativas passam a ser o principal instrumento de direção que sobrou nas suas mãos.
- Configure as exclusões de marca. Se você não quer aparecer para busca com nome de concorrente, ou não quer que a IA associe a sua marca a outra, isso é configuração, não torcida.
- Trate todas as páginas como página de campanha. Com expansão de URL final, o Google escolhe o destino. Ou você limita por inclusão de URL, ou aceita que qualquer página pode receber clique pago, e aí não pode existir página abandonada no site.
- Escreva para pergunta, não só para palavra. Se 60% das buscas em formato de pergunta acionam resposta de IA, o conteúdo que responde diretamente é o que tem chance de ser a fonte, e a página que responde direto também converte melhor o clique pago.
- Teste lado a lado antes que o prazo teste por você. O Google oferece experimentos de IA Max. Migrar em setembro sem base de comparação é ficar sem saber se piorou.
- Julgue por conversão e por custo por conversão. Volume de impressão e de clique vai subir com a correspondência mais ampla. Isso não é resultado, é consequência mecânica.
Ressalvas, ditas com todas as letras
- Os estudos de clique são dos Estados Unidos. Pew e SparkToro mediram buscas americanas. Não conheço painel público equivalente para o Brasil, e a diferença de comportamento entre os dois mercados é real. Use como direção, não como número do seu caso.
- Os 7% são do Google, sobre o Google. Dado interno, não auditado, sem metodologia publicada.
- O Modo IA ainda é pequeno. 0,34% das buscas no estudo. Quem estiver dizendo que a busca tradicional acabou está adiantando um capítulo que os dados ainda não escreveram.
- Datas escorregam. A do DSA já escorregou uma vez, de setembro de 2026 para fevereiro de 2027. Confira no anúncio oficial antes de planejar em cima.
- Este artigo tem data. Foi escrito em 3 de agosto de 2026. Num assunto que muda a cada trimestre, isso importa mais que o normal.
Fontes
- Google Ads, Classificação do anúncio, os seis fatores do leilão.
- Google Ads, Como funciona a IA Max, componentes, controles e relatórios.
- Google, Dynamic Search Ads migram para a IA Max, calendário e a afirmação dos 7%.
- Search Engine Land, Google adia a migração do DSA, o adiamento para fevereiro de 2027.
- Google Brasil, Modo IA em português, 8 de setembro de 2025, perguntas duas a três vezes maiores.
- Pew Research Center, cliques com e sem resumo de IA, 900 adultos, 68.879 buscas.
- Search Engine Land sobre o estudo SparkToro/Similarweb, 68,01% de buscas sem clique.
- Alphabet, resultados do segundo trimestre de 2026, receita de Busca e o crescimento de consultas.
- Search Engine Land, formatos conversacionais no Modo IA, anunciados em 20 de maio de 2026.
Em resumo
O leilão continua igual: lance, qualidade e contexto decidem quem aparece, e qualidade continua sendo desconto. O que mudou foi o entorno. As perguntas cresceram, a resposta da IA passou a ficar entre a pergunta e o seu site, o clique orgânico virou minoria, e, ao mesmo tempo, o volume de busca e a receita de anúncio cresceram. Menos clique de graça, mais busca no total: é uma transferência de valor, não um desaparecimento.
Do lado da ferramenta, o controle sobre palavra-chave está migrando para a IA do Google, com data no calendário. Setembro de 2026 para correspondência ampla no nível da campanha, fevereiro de 2027 para DSA. O que sobra de controle real é o que você faz com termos de pesquisa, negativas, exclusões de marca e páginas de destino.
Se você quer entender se a conta fecha antes de investir, comece pela matemática em Google Ads para pequenas empresas e pelo custo real do clique no seu setor em quanto custa anunciar no Google. E se a dúvida for onde o dinheiro rende mais agora, olhe também anúncio ou SEO, a resposta mudou junto com os números deste artigo.
Quer uma leitura do seu caso, com a sua conta aberta e os seus números? É o que fazemos na consultoria de marketing digital, e não exige trocar de agência para descobrir onde está vazando.
Revisado em 16 de setembro de 2026. O artigo avisava que a correspondência ampla no nível da campanha migraria em setembro. O prazo venceu, e a revisão registra isso: a migração automática para o AI Max começou em 1º de setembro e corre até o fim do mês, atingindo quem usava correspondência ampla ou os recursos antigos de criação automática de anúncio. Entrou o que conferir agora em quem foi migrado, incluindo o resgate da linha de base de agosto — sem ela não dá para separar o efeito da migração, porque a campanha comparada deixou de ser a mesma.
Revisado em 18 de setembro de 2026. A lista do que conferir ganhou um quarto item, e ele passou a ser o primeiro em importância: conferir o que está sendo contado como conversão. Com lance automático, o sinal de conversão deixou de ser número de relatório e virou o volante da campanha, então conversão contada errada não engana só quem lê, ela ensina o sistema a comprar o clique errado. O item aponta para uma página nossa sobre o assunto, e vale dizer isso aqui em vez de deixar o leitor descobrir.
Publicado em Tráfego pago
Compartilhar no WhatsApp