A semana no marketing: a ficha da sua empresa vira resposta de IA, o Google começa a pagar por citação e o nosso gráfico para de cair


Close das mãos de uma pessoa segurando um celular na horizontal e tocando a tela com o indicador, com a página de busca do Google aberta e o logotipo colorido visível

Edição da semana de 18 de setembro, a sétima da série: o que aconteceu no marketing digital entre 12 e 18 de setembro, com fonte em cada afirmação e um "o que fazer com isso" no fim de cada bloco. A semana em uma frase: o Google começou a transformar a ficha da sua empresa em resposta de inteligência artificial, começou a pagar quem escreve o conteúdo que essa inteligência usa, e o nosso próprio gráfico mostrou que quando a busca cai a citação em IA cai junto, no mesmo dia. O terceiro bloco abre os nossos números, como foi prometido na edição passada.

A ficha da sua empresa no Google virou resposta de IA

Em 17 de setembro, Ben Fisher publicou no LinkedIn e Barry Schwartz reproduziu no próprio negócio: o painel lateral que aparece quando alguém busca o nome da sua empresa — aquele com telefone, horário, avaliações e fotos — começou a aparecer com o selo "AI Overview". Tem um botão "mostrar mais" que abre um bate-papo no AI Mode, e um texto escrito por máquina descrevendo o que a sua empresa faz.

Pare um segundo no que isso muda, porque a mudança é de natureza, não de layout.

O painel da empresa sempre foi um formulário. Campos que você preenche: nome, endereço, telefone, horário, categoria, fotos. Errado ou desatualizado era culpa de quem preencheu, e o conserto era entrar no Perfil da Empresa e corrigir o campo. Agora existe, acima dos campos, um parágrafo que ninguém preencheu. Uma IA escreveu, lendo a sua ficha e o seu site, e é ele que a pessoa lê primeiro.

O próprio Schwartz, que faz isso para viver, deu o exemplo perfeito sem querer. Ao ver a descrição da sua empresa, comentou que uma das informações estava velha, mas emendou que não dava para culpar a IA, porque o conteúdo do site dele é velho também. É essa a frase que interessa: a IA não inventou, ela leu. O texto desatualizado que está há três anos na sua página "sobre" acabou de virar a primeira coisa que o cliente lê sobre você no Google.

E não foi um movimento isolado na semana. Dois dias antes, em 15 de setembro, Natasha Kaurra notou e Barry Schwartz confirmou que o Google Ads passou a oferecer no Performance Max duas opções de destino para o clique do anúncio. Uma é o seu site. A outra é "Perfil da Empresa (otimizado para anúncios)", descrita pelo próprio Google como levar a pessoa a uma página hospedada pelo Google, com medição de conversão embutida.

Leia essa segunda opção devagar: você paga pelo clique e a visita termina numa página que não é sua. Somando as duas notícias da semana, o Google está transformando a ficha em página de destino e, ao mesmo tempo, passando a escrever o texto dela. O perfil deixou de ser a vitrine ao lado do resultado e virou um endereço concorrente do seu site.

O que fazer com isso: busque o nome da sua empresa no celular, hoje, e leia o que a IA escreveu sobre você. Anote cada coisa errada. Depois trate a causa, que quase nunca está no painel: o telefone, o endereço e o horário precisam ser idênticos no site, no Perfil da Empresa, no Instagram e nos diretórios — dado divergente é a matéria-prima de descrição errada. A página que explica o que a sua empresa faz precisa estar atualizada, porque é dali que sai o parágrafo. E mantenha fotos suas em quantidade, o que continua valendo desde o golpe da foto com telefone falso da semana passada. Se o seu perfil está abandonado, o guia do Perfil da Empresa tem o roteiro completo.

O Google começou a pagar por conteúdo usado em resposta de IA

Em 14 de setembro o Digiday teve acesso à documentação interna de um programa que Barry Schwartz já tinha farejado em abril: o AI Contribution Pilot. O Google paga publicadores quando o conteúdo deles contribui de forma significativa para uma resposta gerada por IA no Gemini, nas AI Overviews e no AI Mode. Quem entra no piloto ganha um painel de ganhos dentro do próprio Search Console, com o histórico mensal.

O Google confirmou que é um piloto em estágio inicial, de aprendizado, para recompensar conteúdo de qualidade. Foram dezenas de publicadores convidados, o programa passou longe de se limitar a jornal, e tem despertado mais interesse em publicador pequeno e médio do que nos grandes.

Tem uma linha na documentação que vale mais que o resto, e é fácil passar batido: o pagamento é por conteúdo que influencia de forma significativa qual resposta é gerada, e explicitamente não vale quando o conteúdo apenas confirma um fato ou apenas recebe um link dentro da resposta. Ou seja, ser linkado pela IA vale zero nessa conta. O que vale é ter sido a fonte que decidiu o conteúdo da resposta.

Isso é uma admissão importante. Para pagar, o Google precisou medir. Existe, dentro da máquina, um número que diz o quanto a sua página pesou naquela resposta — e agora ele tem preço. O que era discurso ("prepare-se para a busca com IA") virou contabilidade.

O que ninguém sabe é como esse número é calculado. Os publicadores veem o valor mensal e não conseguem inspecionar a conta, e o Google não divulgou o critério, nem quantos participam, nem como escolheu. Uma régua que você não pode conferir é uma régua em que você não pode trabalhar, e é justo que a crítica tenha ido por aí.

Para quem tem empresa pequena o recado é indireto, porque você não vai ser convidado. Mas repare no fio da semana passada: a Amazon começou a vender anúncio dentro do ChatGPT, e agora o Google começa a pagar a fonte. Em duas semanas a camada de IA ganhou encanamento comercial nas duas pontas, quem paga para aparecer e quem recebe por ser usado. Camada que tem dinheiro dos dois lados não é moda passageira.

O que fazer com isso: pare de escrever para ser linkado e comece a escrever para ser a fonte da resposta. Na prática são três coisas. Responda a pergunta inteira na página, sem guardar a parte boa para o formulário, porque resposta pela metade não decide resposta nenhuma. Coloque na página alguma coisa que o modelo não consegue pegar em outro lugar: um número que você mediu, o seu preço, o prazo que você cumpre, o erro que você cometeu. E escreva a resposta objetiva logo abaixo da pergunta, que é o formato que a máquina consegue citar — a lógica de otimizar para as respostas continua valendo, agora com um preço público atrás dela.

Aqui em casa: a queda parou, e a IA sumiu junto com a busca

Na edição passada ficou escrito que, se o gráfico dissesse que erramos, isso apareceria aqui com o mesmo detalhe. Abrimos o Search Console nesta semana. Começando pelo número que importa, as impressões por dia, semana a semana:

17 a 23 de agosto: 923 por dia. De 24 a 30 de agosto: 445. De 31 de agosto a 6 de setembro: 162. De 7 a 13 de setembro: 158.

Traduzindo as quedas entre uma semana e a seguinte: 52%, depois 64%, depois 2,5%. A queda livre acabou. Não é recuperação, e é importante não vender isso como recuperação: o patamar é baixo e continua baixo. Mas "parou de cair" e "continua caindo" são situações diferentes, e só dá para saber em qual você está se alguém estiver anotando a série semana a semana.

O segundo número é o que responde a pergunta que mais chega aqui em mensagem, alguma variação de "meu site sumiu do ChatGPT". O Search Console tem um relatório próprio de recursos de IA generativa, e o nosso diz: 948 citações em três meses, com pico de cerca de 60 por dia em 18 de agosto e 4,2 por dia nos últimos dez dias. Queda de 93%.

Agora junte com o parágrafo anterior. A data de ruptura das citações em IA é a mesma da queda na busca orgânica: 22 de agosto. Não são dois problemas, é um só, e o mecanismo é simples quando alguém explica. O ChatGPT consulta o índice do Bing. O Gemini e as AI Overviews consultam o índice do Google. Nenhum deles tem opinião própria sobre a sua empresa: eles leem o mesmo índice e herdam o veredito dele. Quando o domínio é rebaixado, ele sai do conjunto de fontes que a IA lê antes de responder. A IA é sintoma; a busca é a doença.

O resto do diagnóstico, para fechar: seguem 1,67 mil páginas indexadas, número estável desde o começo de agosto. Nenhuma ação manual, nenhum problema de segurança. Ou seja, é rebaixamento de posição com a página indexada, e não remoção — o Google continua vendo o site, ele parou foi de recomendar.

Sobre a aposta em si, a resposta honesta é que ainda não há resposta. As 1.710 páginas de cidade voltaram ao ar em 14 de setembro, o que dá dois dias de dado dentro desta semana: não dá para concluir nada, e quem concluir alguma coisa com dois dias está inventando. O prazo combinado continua sendo dezembro.

E tem um número que explica por que esse tipo de teste demora tanto: nos doze dias em que 1.518 páginas nossas responderam o código 410, o Google conseguiu processar 87 delas. Menos de 6%. Quem espera ver o efeito de uma mudança estrutural em duas semanas está medindo antes de o Google ter lido.

O que fazer com isso: se o seu site caiu e a IA parou de citar junto, trate como um problema só e não gaste dinheiro em "otimização para IA" enquanto a busca está rebaixada, porque é consertar o telhado pela fumaça. Anote as suas impressões por semana numa planilha sua, fora da plataforma: é a única forma de distinguir 64% de 2,5% e saber se você está caindo ou já encostou no chão. E dê prazo às mudanças que você fizer — se em doze dias o Google leu 6% das nossas, o que você mexeu ontem não vai aparecer no gráfico da semana que vem. O roteiro de quando o site cai continua servindo, e o Search Console explicado sem jargão é por onde começar a olhar.

Rápidas da semana

  • Ranking sacudindo, e uma explicação inesperada: houve turbulência a partir de 4 de setembro, uma reversão em 12 e um novo abalo forte em 15 de setembro. No dia 18 apareceu uma hipótese para parte disso: o Google pode ter ficado mais eficiente em bloquear robôs de raspagem e ferramentas de monitoramento por volta do dia 13 — a Sistrix registrou em 16 de setembro que o Google mudou de novo a forma de entregar os resultados —, e o Bing andou pedindo para alguns usuários confirmarem que são humanos antes de mostrar a busca. Efeito prático para você: parte do "meu ranking despencou" que as ferramentas de terceiros mostram pode ser a ferramenta apanhando, e não a sua posição caindo. Confira no Search Console antes de entrar em pânico.
  • A régua da IA ainda vai mudar: em 16 de setembro John Mueller avisou que o registro de posição e impressão para AI Mode e AI Overviews vai evoluir com o tempo, conforme as próprias funções mudam. Leia como: não construa meta nem contrato em cima do número de posição em IA por enquanto, porque o que ele mede ainda está sendo decidido.
  • Monopólio de ad tech: sem cisão, com fiscal por seis anos: saiu o memorando completo dos remédios no caso de publicidade do Google. A juíza Brinkema descartou separar a empresa, chamando a cisão de nem realista nem necessária, e impôs mudanças de comportamento: compartilhar dados, integrar a bolsa de anúncios do Google com servidores de anúncio rivais e parar de favorecer os próprios produtos no leilão. Um monitor independente e um comitê técnico acompanham por seis anos, prazo que o tribunal pode estender se o Google não cumprir.
  • O ChatGPT testa anúncio que vira conversa: a OpenAI está experimentando os "agentes patrocinados": em vez de levar a um site, o clique no anúncio abre uma conversa com um agente bancado pela empresa anunciante. É a versão com IA do velho "fale com um consultor", e vale acompanhar porque muda o que se entende por destino de campanha.
  • Google Ads mostra quanto o concorrente gasta: o relatório de benchmarks de investimento passou a comparar o seu gasto com o de anunciantes do mesmo setor. Serve para calibrar expectativa: verba muito abaixo da média do setor explica boa parte do "por que meu anúncio não aparece", e o custo real de anunciar no Google fica mais fácil de discutir com número na mesa.
  • WhatsApp: treze dias. Em 1º de outubro entram em vigor as regras novas de cobrança das mensagens de utilidade e serviço na API. O que dá para fazer nessas duas semanas continua sendo o mesmo: tirar do atendimento tudo que o site responde sozinho, começando por preço, prazo, endereço e horário.

Em resumo

A semana toda foi sobre a mesma camada nova, vista de três ângulos. O Google passou a escrever, com IA, o parágrafo que apresenta a sua empresa a quem busca o seu nome. O Google passou a pagar por conteúdo que decide o que essa IA responde. E o nosso próprio gráfico mostrou que a porta de entrada dessa camada é a mesma de sempre: quem cai na busca some da IA no mesmo dia, porque é o mesmo índice.

Isso simplifica a decisão de onde investir, e a simplificação é boa notícia. Não existe uma frente de "otimização para IA" separada da frente de estar bem no Google — existe informação própria, dado certo e coerente em todo lugar onde a sua empresa aparece, e página que responde a pergunta inteira. Quem tem isso é lido pelas duas. Quem não tem some das duas junto, e agora a gente tem o gráfico para mostrar.

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Perguntas frequentes

O que mudou no painel da minha empresa no Google em setembro de 2026?

Em 17 de setembro de 2026, Ben Fisher relatou no LinkedIn e Barry Schwartz reproduziu que o painel de conhecimento local, aquele que aparece ao lado do resultado quando alguém busca o nome da empresa, passou a exibir o selo "AI Overview" com um botão para expandir em um bate-papo no AI Mode. Acima dos campos que você preenche no Perfil da Empresa passou a existir um parágrafo escrito por inteligência artificial, gerado a partir da sua ficha e do seu site. A diferença prática é que esse texto não é preenchido por ninguém: para corrigi-lo é preciso corrigir o que a IA lê, ou seja, os dados do perfil e o conteúdo do site.

O Google paga por conteúdo usado em resposta de IA?

Passou a pagar, em caráter de piloto. Em 14 de setembro de 2026 o Digiday teve acesso à documentação interna do AI Contribution Pilot, programa em que o Google remunera publicadores quando o conteúdo deles contribui de forma significativa para uma resposta gerada no Gemini, nas AI Overviews e no AI Mode. Quem participa recebe um painel de ganhos dentro do Search Console, com histórico mensal. O pagamento não vale quando o conteúdo apenas confirma um fato ou apenas recebe um link na resposta: vale quando ele influencia qual resposta é gerada. Foram dezenas de publicadores convidados, o programa vai além de veículos de notícia, e o Google não divulgou como calcula a contribuição nem como escolheu os participantes.

Por que meu site sumiu do ChatGPT e das respostas de IA?

Na maioria dos casos porque ele caiu na busca, e não por um problema separado de IA. O ChatGPT consulta o índice do Bing; o Gemini e as AI Overviews consultam o índice do Google. Nenhum desses sistemas tem uma avaliação própria do seu site: eles leem o índice e herdam o veredito dele. Quando o domínio é rebaixado, ele sai do conjunto de fontes que a IA consulta antes de responder. No nosso próprio Search Console, as citações em recursos de IA generativa caíram de cerca de 60 por dia em 18 de agosto de 2026 para 4,2 por dia em meados de setembro, uma queda de 93%, com a mesma data de ruptura da queda na busca orgânica. Por isso não adianta investir em otimização para IA enquanto a busca está rebaixada.

Como saber se o meu site parou de cair no Google?

Anotando as impressões por semana, fora da plataforma, e comparando a queda de uma semana para a seguinte. No nosso caso a série foi de 923 impressões por dia na semana de 17 a 23 de agosto de 2026 para 445 na semana seguinte, 162 na terceira e 158 na semana de 7 a 13 de setembro. As quedas entre semanas foram de 52%, 64% e 2,5%: a última é ruído, não tendência, e é isso que separa "encostou no chão" de "continua caindo". O patamar seguir baixo não muda essa leitura; são duas perguntas diferentes e só a série semanal responde a segunda.

Quanto tempo o Google leva para processar uma mudança grande no site?

Semanas, e a ordem de grandeza surpreende quem nunca mediu. Nos doze dias em que 1.518 páginas do nosso site responderam o código 410, o Google processou 87 delas, menos de 6%. Isso significa que medir o efeito de uma mudança estrutural duas semanas depois é medir antes de o Google ter lido a mudança. Para recuperação após atualização de spam ou atualização central, o próprio Google fala em meses de observação continuada, e não em semanas.

O que a Justiça decidiu sobre o monopólio de publicidade do Google?

A juíza Brinkema descartou dividir a empresa, classificando a cisão como nem realista nem necessária, e impôs remédios de comportamento no caso de ad tech, com o memorando completo divulgado em meados de setembro de 2026. O Google fica obrigado a compartilhar dados, integrar a sua bolsa de anúncios com servidores de anúncio de concorrentes e aplicar regras de não discriminação e de roteamento, além de parar de favorecer os próprios produtos no leilão. Um monitor independente e um comitê técnico acompanham o cumprimento por seis anos, prazo que o tribunal pode estender.

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